segunda-feira, 27 de julho de 2020

ATIVIDADE 10 - 8ºA, B, C, D e E - PROFª GRAÇA e PROFª MARCIA

Professor (a):Graça Ramo e Marcia Nascimento

Turma: 8º A, B, C, D e E

Disciplina: Língua Portuguesa

Canal de resposta:email institucional (gracasramo@prof.educacao.sp.gov.br / marcianbarros@professor.educacao.sp.gov.br)

Prazo de envio:23:59 do dia 31/07

Período de envio: 27/07 à 31/07/2020

 

Material utilizado: Aulas CMSP dia 21/07 e 23/07

Tarefas:Ler o texto e responder às questões

Orientações:Não aceitarei respostas copiadas, sejam originais dentro do contexto.

 

Uma vela para Dario.

 

Ø  Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. Descansa na pedra o cachimbo.

Dois ou três passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.

Ele reclina-se mais um pouco, estendido na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode pede aos outros se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario rouqueja feio, bolhas de espuma surgem no canto da boca.

Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua conversam de uma porta a outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede. Ma não se vê guarda-chuva ou cachimbo a seu lado.

A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede não tem os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.

Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobrem o rosto, sem que façam um gesto para espantá-las.

Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.

Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados com vários objetos de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficam sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira é de outra cidade.

Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, pisoteado dezessete vezes.

O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo os bolsos vazios. Resta na mão esquerda a aliança de ouro, que ele próprio quando vivo só destacava molhando no sabonete. A polícia decide chamar o rabecão.

A última boca repete elemorreu, ele morreu. A gente começa a se dispersar. Dario levou duas horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar de um defunto.

Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.

Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.

Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da chuva, que volta a cair.

 

Exercícios:

1)      Na cena inicial do conto, Dario está caminhando apressado na calçada de uma rua, mas algo acontece. Observe os 3 parágrafos iniciais.

A)     O que acontece com Dario?

B)      Como as pessoas inicialmente reagem diante do ocorrido?

C)      A atitude dessas pessoas é esperada na situação?

2)      Em torno de Dario, forma-se uma multidão. Uma velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. São tomadas 2 iniciativas para ajudar Dario: levá-lo até um taxi e, depois, levá-lo a uma farmácia próxima.

A)     Por que essas iniciativas não dão certo?

B)      A solidariedade que se verifica nas primeiras cenas se mantém, momentos depois? Justifique.

3)      Ao longo do texto são dadas informações sobre Dario dentre as quais alguns objetos que somem. Faça um levantamento dos pertences que Dario carregava e que desapareceram. Que sentido esses desaparecimentos acrescentam à narrativa, levando-se em conta a situação de Dario?

4)      Os serviços públicos são sutilmente retratados no texto.

A)     Como a polícia é vista pela população? Justifique.

B)      Como é o serviço funerário da prefeitura? Justifique.

5)      Há no conto duas personagens cujas ações são diferentes dos demais.

a)      Quem são essas personagens? O que suas ações expressam?

b)      O que essas personagens e suas ações podem representar, no contexto de uma cidade grande?

6)      É possível afirmar que o conto faz uma denúncia e uma crítica aos comportamentos humanos e às relações sociais? Por quê?

7)      Interprete o título “Uma vela para Dario”, explicitando a relação dele com o conto.

8)      Os elementos de um conto são:

A)     Personagens.

B)      Narrador.

C)      Tempo.

D)     Espaço.

E)      Enredo.

F)      Conflito.

·         Releia o conto “Uma vela para Dario” e identifique cada uma das características citadas anteriormente

9)      Agora você é o escritor, escreva mais dois parágrafos criando um novo final para o conto. Os parágrafos devem ter no mínimo seis linhas (sejam criativos).

Conceito de conto:

Conto é narrativa breve escrita em prosa, sendo mais curto que o romance e a novela. Tal qual um texto narrativo, ele envolve enredo, personagens, tempo e espaço.

Os maiores contistas brasileiros são: Machado de Assis, Monteiro Lobato, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Luiz Fernando Veríssimo e Dalton Trevisan.

Observações: Leia o conto acima 2 vezes e responda. Há questões que precisam ser analisadas criticamente.

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