Conteúdo Programático
Professor (a): Silvania da Silva Ferreira
Turma: 2⁰ B,C,D,E
Disciplina: Filosofia
Canal de resposta: silvaniasilva@prof.educacao.sp.gov.br
Prazo de envio: ATÉ 15 dias APÓS A POSTAGEM
Período de envio: de 15/09/2020 a 30/09/2020
Material utilizado: Internet, caderno, lápis ou caneta.
Tarefas . Ler o texto copiar as questões no caderno e após o término tirar
uma foto do caderno e encaminhar ao e mail
INDIVÍDUO, NATUREZA, SOCIEDADE,
CULTURA E ÉTICA
Ética é uma área da filosofia
que busca problematizar as questões relativas aos costumes e à moral de uma sociedade, sem recorrer ao senso comum. A
ética tenta estabelecer, de maneira moderada e com uma visão questionadora, o
que é o certo e o errado e a linha,
muitas vezes tênue, entre o bem e o mal.
A ética está intimamente ligada à moral e consiste numa importante ferramenta
para o bom convívio entre as pessoas e para o bom funcionamento das relações e
das instituições sociais.
Ética
versus moral
O idioma grego antigo
possuía duas palavras de grafias e significados similares: éthos, que significa hábito
ou costume, e êthos, que
significa caráter, disposição
individual e inclinação. A palavra mores,
de origem latina, era apenas uma tradução para as palavras derivadas de ethos, significando também hábito ou
costume.
O latim não diferenciava os costumes do
caráter em sua tradução, o que causou uma confusão posterior: muitos estudiosos
consideraram ética e moral
a mesma coisa. No entanto, a distinção
que parece explicar a diferença entre os termos da melhor maneira é a seguinte:
moral é o hábito e o costume, enquanto ética é uma filosofia da moral, uma
tentativa de fazer uma “ciência” moral. A ética indica aquilo que é certo e o
que é errado com base na moral.
Enquanto a moral expressa os hábitos e costumes de
uma sociedade, de um local, de uma comunidade situada no espaço e no tempo,
além de designar a conduta individual de pessoas, a ética é aquela que tenta identificar, tratar, selecionar e estudar
a moral (ou as várias morais) de maneira imparcial, laica, racional e
organizada. É papel da ética, portanto, entender a moral e julgá-la pelo crivo
da razão, estabelecendo se ela está correta ou não.
O
que é ética para a filosofia?
Mais do que um simples
corretor de posturas e atitudes das pessoas, a ética é um saber antigo ligado à filosofia. Quando o filósofo grego antigo
Sócrates iniciou a sua jornada filosófica, que deu origem ao chamado período
antropológico ou socrático da filosofia grega, as atenções filosóficas saíram
da natureza e da cosmologia
e passaram a centrar-se nas ações humanas e no que resulta delas. Após Sócrates,
a filosofia passou a interessar-se por temas relacionados à vida em sociedade,
à política e à moral. Aristóteles foi o primeiro pensador a sistematizar a
ética.
Com a problematização
acerca da moral e do convívio das pessoas, surgia a chamada filosofia moral, que mais tarde ficaria conhecida como ética. A ética foi
sistematizada pela primeira vez pelo filósofo grego antigo Aristóteles,
que formulou uma teoria ética baseada em uma espécie de guia moral das ações
que visava sempre, na visão do filósofo, o alcance
da felicidade.
Os filósofos helenistas,
como epicuristas, cínicos e estoicos, também apresentaram visões de vida que
podem ser reconhecidas como modelos éticos, porém são modelos de ética prática,
pois tais teóricos ultrapassaram a especulação intelectual da filosofia e
partiram para uma visão prática da ética,
voltada para as ações cotidianas.
Durante a escolástica,
a questão da ação humana para a filosofia deveria subordinar-se à vontade de
Deus, e, por muito tempo, não houve grande modificação nos estudos sobre ética.
Foi Nicolau Maquiavel quem marcou o Renascimento
em relação à ética e moral, ao propor uma teoria do poder que, na prática, dissociava ética de política.
Os estudos sobre ética
somente ganharam novo fôlego no fim da Modernidade,
no período iluminista da Europa, em
que questões políticas voltaram ao centro do debate e a ética veio como uma
necessidade para controlar as ações das pessoas em meio a tantas revoluções na
sociedade.
É nesse período em que o filósofo
iluminista alemão Immanuel Kant
escreveu o seu livro Fundamentação da
metafísica dos costumes, apresentando uma teoria ética milimetricamente
pensada: um sistema complexo baseado no
dever, sendo que uma ação somente é ética se ela estiver de acordo com o
dever e for empenhada pelo dever.
O sistema ético kantiano
não admitia qualquer desvio da norma como ação moralmente válida, e o guia para
encontrar a ação moralmente correta era o que o filósofo chamou de imperativo categórico. Para Kant, o ser
humano deve fazer um exercício antes de agir. Esse exercício simples consiste
em pensar se aquela ação pode ser
considerada boa ou correta em qualquer situação em que ela for empenhada.
Se a resposta for sim, então é uma ação moralmente correta. Se a resposta for
não, é uma ação moralmente condenável.
Outras teorias éticas surgiram no século
XIX para explicar a questão da moral e da ética, entre elas o utilitarismo, criado pelo filósofo e
jurista inglês Jeremy Bentham e finalizado pelo filósofo inglês John Stuart
Mill. O utilitarismo afirma que a moralidade
de uma ação não está na ação em si, mas em sua finalidade e nos resultados
dela. Nesse sentido, ações que, a princípio, são moralmente condenáveis, como a
mentira e o furto, podem ser consideradas moralmente aceitas se forem
praticadas visando um bem maior.
O
que é ser ético?
Mesmo com a distinção
entre ética e moral, muitas vezes ser ético significa agir de acordo com a
moral. No entanto, nem sempre a moral está correta, sendo a ética aquela que
pode verificar a validade das ações morais. As pessoas esperam fórmulas prontas
que apresentem de maneira mastigada o que é ser ético. No entanto, a ética é
constituída por vários elementos e
várias regras que precisam ser pesadas e avaliadas para que o indivíduo
ético seja reconhecido.
Ser ético, no fim das contas, é agir bem, buscando fazer o certo, não se desvirtuando e não causando prejuízo a outrem. Para
podermos começar a pensar no que é ser ético, basta que nos atentemos para as
nossas ações e o impacto delas no meio. A minha ação prejudica outras pessoas?
A minha ação prejudica o coletivo em detrimento do meu lado individual e
pessoal? A minha ação é correta em
relação às normas locais? A “balança” moral de uma pessoa é o seu senso ético,
que é capaz de dizer se as suas ações são condenáveis ou não.
Ética
profissional
Nesse caso, por
tratar-se de uma especificação da ética em relação a um recorte da sociedade,
fica mais fácil definir o que estamos falando. Se a ética é um conjunto de
saberes que procuram definir o que é certo e errado com base na análise da
moral, a ética profissional é a
aplicação desses saberes no campo do exercício da atividade de profissionais,
ou seja, daqueles que exercem profissões.
Nesse sentido, a ética
profissional pode (e deve) ser aplicada, por exemplo, por médicos, professores,
vendedores ou quaisquer profissionais no exercício de seus ofícios. Aplicar a
ética, nesses casos, significa agir com lisura, respeitando as leis, os códigos
específicos da profissão, e manter uma conduta ilibada, não prejudicando a outrem por meio de seu exercício profissional nem
agindo apenas visando unicamente o benefício próprio.
Tal cálculo visa a fornecer ao agente uma
resposta para a pergunta: qual ação provocará o maior benefício ao maior número
de pessoas e o menor prejuízo ao menor número de pessoas? A resposta a essa
pergunta deve então guiar a ação moral, tornando o utilitarismo uma ética consequencialista, ou seja, que foca nas
consequências das ações, e não nas próprias ações. O utilitarismo, enquanto
ética das consequências, rejeita a noção
kantiana de ética baseada no imperativo categórico e visa apenas ao fim, à
consequência de uma ação moral.
Questões
1) O que é a ética na
filosofia ?
2) O que é moral na
filosofia
3) O que é a teoria ética para Aristóteles?
4) Quais eram as visões
éticas para os filósofos helenisticos?
5) O que é ser ético ?
6) O que é ética
profissional?
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